Maria Radiante


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Como perder barriga

Ora bem. Acabei de ler isso num grupo do Facebook, era mais ou menos assim: “o que tomar para perder barriga sem ser exercício físico?”.

Claro que me apeteceu responder “comida saudável”, mas depois não iam compreender que eu sou cínica e irónica e me iam tentar passar a ferro, insultando-me… Iam dizer que sou insensível, ou que não respondi ao perguntado ou, pior, que se não tenho nada de bom para dizer, me deveria calar. Nesta última acho que teriam razão e por isso escrevo no meu blog que só lê quem quer.

Barriga lisa só se consegue com comida saudável. Ponto. Não tenho nada contra quem não tem barriga lisa, tenho contra quem está num grupo específico de fitness e quer a solução rápida (que nem sequer existe).

Até aqui, a coisa pode ser só desinformação e como tal, não vou ser a desmancha prazeres que lhe vai quebrar o sonho. Se estiver empenhada (que não está, porque a primeira coisa que diz é “sem ser exercício físico”), vai descobrir que os abdominais se constroem na cozinha e não “tomando” coisas. Isso ou na clínica onde for fazer uma a operação à sua barriguita.

Mas acham que foi isto o que mais me chocou? Enganam-se. Seria de esperar que houvesse comentários a refletir o que eu acabei de escrever, mas não. Pelo contrário. Uma diz que come pouquinho e já emagreceu 12kg num instante, outra diz para só comer proteína e outra recomenda, sem dó nem piedade e muito conhecedora da coisa, “chá de hibisco”. Senti-me num daqueles anúncios da televendas onde se faz abdominais com um cinto que dá choques. “Sim, podes comer cinco quilos de açúcar, mas desde que seja com chá de hibisco, está tudo bem. “: É está a minha resposta final. Não precisas nem de exercício, nem de comer bem. Chá de hibisco.

Se for procurar, a senhora que perguntou é daquelas que acredita em cremes anticelulíticos, e a que respondeu é a que fez a operação para tirar a celulite, mas jura a pés juntos que o que fez efeito foi o creme da nívea que comprou no supermercado…

Vou só ali afogar as mágoas em chá de hibisco (3 chávenas ao dia e mais o dobro da água porque este chá desidrata (??? Informação não comprovada por mim!!!) segundo a recomendação da entendida) e já volto.


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Maria not so Radiante

As insónias sempre me atormentaram. Tem dias maus e tem dias muito maus. Quando durmo mais de seis horas, normalmente é porque estou há dois dias sem dormir… mas nem isso, não me lembro da última vez que dormi um monte de horas seguidas.

Durmo muito mal desde que me lembro de ser gente. Tenho padrões de sono de histórias de terror. Adoro dormir. Parece um contra-senso e provavelmente é.

Tinha eu os meus 12 ou 13 anos quando os meus pais me deram toda uma aparelhagem para substituir o pequeno rádio que eu tinha no quarto. Todos os dias, tentava adormecer com música (ainda hoje o faço), às vezes eram quatro da manhã e eu ainda estava de olhos bem abertos e com aquela dor aguda nas têmporas de quem não consegue desligar o raio do cérebro. Mas se antes, ao adormecer, era como uma pedra, hoje, já não posso dizer o mesmo. Durmo pouco, adormeço tarde e acordo com tudo.

Tantas vezes ouvia as mesmas músicas que sou capaz de ouvir um álbum e saber de cor o que vem a seguir. Hoje em dia decoro playlists do YouTube. E sim, de vez em quando, nos momentos de maior melancolia ouvia o Oceano Pacífico. Já não o faço. Acho que já não tenho a melancolia da adolescência.  Ouvi vezes sem conta, em cassete, um concerto ao vivo dos Nirvana que terminava com um “good night and god bless”. Ficava acordada muito depois dessa dica. São 6h20 e estou acordada desde as 2h40. Felizmente o despertador só tocará por volta do meio dia, mas nem sempre posso dormir mais um bocadinho de manhã. Estou tantas vezes com só duas ou três horas de sono e ninguém imagina.

Já tentei quase tudo, o cérebro não se cala, diz que quer escrever, mas eu não quero. Consta que vou ouvir mais uma playlist do YouTube. A ver se funciona.

 


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Dia 1

Hoje é um dia como outro qualquer, mas é o início de um novo mês e coincide com o início de um novo ano. É por isso que serve de novo começo para tanta gente.

Raramente começo coisas novas no primeiro dia do ano, porque sei que a boa vontade me vai passar e, um dia, quando acordar com o toco vou mandar tudo às urtigas.

Mas não sou indiferente aos pedidos para o novo ano. Aliás, eu tenho todo um caderno dedicado à minha lista de coisas que quero durante o ano.

Costumo querer, acima de tudo o resto, paz. Sim. Paz. Já sei que pedir paz no mundo é coisa de miss em concurso de beleza, mas peço paz para mim. Se eu estiver em paz, também deixo os outros em paz. Levo paz à minha família, aos meus amigos e nunca me esqueço de a levar para trabalhar. E às vezes é onde é mais importante.

Costumo pedir o normal: saúde, dinheiro e amor. Mas costumo pedir coisas bastante específicas nas minhas listas, em 2015 pedi para voltar a conseguir fazer o pino. Não consegui. Tornei a pedir o mesmo em 2016 e há cerca de um mês a coisa deu-se, quando já não acreditava que ia conseguir em 2016, num dia em que estava exausta e a morrer de medo, o meu treinador ajudou-me umas quantas vezes (gabo-lhe a paciência!!!) e quando ninguém estava a olhar tentei e consegui sozinha. O meu treinador ficou contente por mim, mas disse-me que tenho problemas de confiança, em mim e nos outros.

E tenho. Devia ter pedido mais confiança numa uva passa. Não pedi. Esqueci-me.

Também costumo pedir boas oportunidades para ver bons concertos. Sim, devia estar a pedir paz mundial e sou fútil  e peço bons concertos. Em 2016 não vi grande coisa, mas comprei bilhete para ir ver Aerosmith. E é provável que vá ver The Xx. E chegou a notícia de que os Deftones voltam em Julho. Sim, eu peço oportunidades para ver boa música.

No ano passado pedi para deixar de vez a medicação da asma e ao fim de quarto meses, em abril de 2016 deixei de tomar cortisona. Certo, estive doente esta semana e a médica pôs-me a tomar tudo e mais alguma coisa, mas quinta já paro com tudo outra vez.

No ano passado pedi para aumentar as cargas que consigo levantar quando treino e consegui. Este ano quero muito chegar aos 102kg no deadlift, o dobro do meu peso corporal.  Já levanto 90kg, são só mais 12kg.

Também pedi mais viagens para este ano. Em 2015 não pedi e acabei por só ter uma semana de férias no Algarve (que nem é férias, para mim). Não fiz fins-de-semana fora, não fiz a despedida do verão, não saí de Portugal e nem sequer fui passar  3 dias a Lisboa para ver uns concertos. Não fiz as férias que planeei em setembro porque tinha a minha Betty doente. Não fui a lado nenhum passar a passagem de ano porque estive eu doente e proibida de sair da cama. Tenho muita viagem para pôr em dia. Queria ir à Holanda em março, ver os campos de tulipas. Queria ir a uma aldeia qualquer do meu país em janeiro. Queria tanto voltar à Sardenha no verão. Queria ir, finalmente, visitar a minha família na Alemanha.  Queria ir um fim-de-semana a Barcelona. Queria ir a Nova Iorque em novembro. Queria ir a um sítio qualquer apanhar sol em outubro. E quero muito fazer a despedida do verão este ano.

Também pedi para a primavera chegar depressa, os dias de inverno deixam-me deprimida, com frio e com vontade de escrever coisas deprimentes.

Feliz 2017 a todos.

Post scriptum: não prometam que vão começar a fazer dieta/exercício/cozinhar no dia 2 de janeiro e que vai durar o ano todo. Bem sabemos que não funciona assim.

 

 


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Levanta o vestido

Pois que o Maria Radiante foi substituído há seis anos por um Zona Ótima. Esta semana o Zona Ótima ficou a meio do caminho e tive de improvisar. Agora tenho um BB… quem não sabe do que eu estou a falar, que vá lá acima ler o motivo de o Maria Radiante se chamar assim. É só coisas do destino, agora tenho um à minha imagem, literalmente.

Posto isto, dentro do leitor de CDs vinha uma bela duma remistura. Senti-me um bocadinho um big brother, mas arrisquei e dei uma escutadela. Aqui fica a quarta faixa.

Antes de carregarem no play, quero que saibam que havia muita kizomba, kuduro e funk. Haja diversidade. Ao menos esta dá para dançar.

Post Scriptum: ainda bem que não sou influenciável, já que justo hoje decidi andar de vestido.

Go!

 


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Maria feminista (?) fora de horas

Os amigos de facebook da miss fabulosa que escreve aqui na Radiante (euzinha da silva!!!) já sabem que fui correr. Sim, sou um cliché, se não postar no facebook se calhar não conta como ter ido correr mesmo. E sim, só os amigos sabem (sou freak control, já sabem, o meu perfil pessoal é bastante restrito e até tremo quando alguém faz uma publicação e coloca lá o meu nome e descubro que o perfil dessa pessoa é 100% público… normalmente desmarco o meu nome… desculpem, não é por mal, é porque me para o cérebro a meio e eu acho que o mundo vai acabar…).

Adiante. Fui correr. Quero ir com a equipa daqui do condomínio à Army Race (no ano passado já fomos à Conquer Race e à Army Race) no mês que vem e a prova tem 8 km sendo que eu não corro por hábito e muito menos no tempo frio. Fui ao Maia shopping e voltei para casa, são cerca de 8 km e qualquer coisinha, ir e vir, estou preparada, portanto… é, o crossfit faz milagres.

Mas o cerne da questão prende-se com quem encontrei pelo caminho. Vi mais seis corredores no meu caminho.

Ao primeiro pensei “Fixe, não sou a única atrasada mental a fazer Milheirós-Maia Shopping.”; ao segundo pensei “Boa!!!”; ao terceiro percebi que era mais um homem, e ao quarto, e ao quinto, e ao sexto.

Tudo homens. E eu, a única gaja.

Não sou a maior fã de ir correr, mas há qualquer coisa de libertador de enfiar os phones nos ouvidos no máximo e ir. Gosto de correr sozinha, sem ninguém a chatear e gostar gostar mesmo, gosto de correr no mato, mas isso tenho medo de fazer sem ninguém. À falta de melhor, corro na estrada. Correr limpa-me o cérebro de todas as coisas que me atormentam. Sou demasiado introspectiva e vivo muito os problemas de quem me rodeia. Os meus problemas não me preocupam, eu sei que os consigo resolver, mas os outros, às vezes, deixam-me de rastos. Hoje foi um dia assim, com um monte de coisas que afetam quem me rodeia… Fui correr.

Como dizia, os meus problemas eu resolvo bastante bem, aliás, há muita gente que não sabe lidar comigo, precisamente, porque eu decido para mim, resolvo para mim, digo “não” e avanço.

Mas que raio tem isto a ver com ir correr? É, tudo. Ir correr, para mim é mais uma metáfora daquilo que só está reservado aos homens. São os melhores empresários, mesmo que isso implique uma esposa em casa que abdicou da carreira. São os melhores políticos, ainda que tenham de mentir em casa. São os maiores chefs, mas não cozinham para a família (e há maior ato de amor do que cozinhar para alguém???). São os melhores atletas, mas oprimem quem têm em casa pela força. Se uma miúda faz algo mais radical é apelidada de Maria-rapaz… E não há gajas a singrar nas engenharias a rodos… Deve ser porque menstruam uma vez por mês… Ui, bem, acho melhor editar esta última parte porque há homens a ler o meu blog e vão descobrir que as mulheres menstruam… Vou apagar. Só que não…

Sei, há muito boas exceções a estas regras todas (e ainda bem!!!).

Mas alguém me explica porque motivo, em mais de 8 km, não vi nem mais meia gaja que fosse a correr? Eu sei a resposta. Continuam a deixar que as oportunidades lhes sejam roubadas… Aliás, passei por umas quantas mulheres… carregadas de sacos e de filhos…

Os homens cuidam-se, arranjam sempre tempo para si. As mulheres não… arranjam sempre tempo é para os outros. E sabem, depois admiram-se que foram trocadas… por um alguém mais jovem, ou mais belo, ou mais inteligente ou mais independente… Eu sou feliz, mas só sou feliz porque trabalho mesmo muito para isso.

E não, não preciso que ninguém me troque o garrafão da água no escritório… e corro, para pôr as ideias em perspetiva… Pensem nisso e, miúdas, vão correr. Comecem já. E miúdos, ensinem as filhas a irem correr…

Estou cheia das camisolas da “fofinha” para as meninas e do “génio” para o menino… É continuar a permitir que daqui por 20 anos os meninos continuem a ficar com as posições de destaque… As meninas também são génios…


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Je suis Maria Leal

Ou não…

Tinha mesmo de partilhar.

Não vou comentar a clara falta de talento vocal da senhora pela simples razão  de que não há nada a dizer. Canta mal, é só isso.

Posto isto, o que se passa com a dança dela (se dança como quem está com o corpo engessado, não valia a pena)? E com a dança da miúda lá atrás (a quem pagam para dançar como se estivesse numa casa de meninas)?

E a lap dance no Goucha? A Cristina nem se aguentava.

E a conversa surreal?

E o agradecimento às melhores amigas?

E a frase “um produtor pegou em mim”?

Tanto talento em Portugal e é nestas pessoas que “um produtor” pega.

Vamos lá dar likes e visualizações ao talento português. Not.

Post Scriptum: Não sei quem é o Tiago Ginga, mas deve ser muito fixe para abrir este tipo de portas para estas oportunidades.

 


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Eu, naba ocd, me confesso

Desde muito cedo soube que tenho, claramente, um distúrbio. Sou freak control assumida e só está bem feito se tiver sido eu a fazer ou a escolher quem faz. Mas isso nem é o pior, o pior é mesmo a necessidade de ter tudo em ordem. Na minha ordem (que nem sempre é organizada).

Isto da internet e dos telemóveis e das novas tecnologias (e o meu blog, por arrasto) implica sempre mil e uma aplicações a enviarem notificações. Irrita-me.

Deixem-me explicar: eu gosto de receber mensagens e chamadas e tudo o resto, só não gosto do raio das notificações. Fico doente quando não consigo perceber porque raio tenho ali um número a vermelho a aborrecer-me.

E havia um que me andava a chatear há uns tempos. O do Messenger.

Hoje descobri, finalmente, o mistério. Sou tão idiota!!! Tenho dezenas de mensagens por ler que não fazia sequer ideia. Pelos vistos a aplicação esconde tudo o que não é recente e como tal, tenho conversas de 2013 por ler… Acho que ainda vou a tempo de dizer à senhora da loja de roupa on-line que aquela camisola já passou de moda e já não me interessa o preço… Se calhar, já não vale a pena…

Não conseguem imaginar a vontade que me dá de atirar com tudo para o chão quando vejo um ecrã de telemóvel carregado de ícones e cheios de coisas vermelhas a piscar, não sei como raio alguém consegue viver assim nessa falta de ordem.

Era só isso hoje quem assina o post é, claramente, a Maria OCD Radiante.

Post Scriptum: limpem o raio das notificações!!!

Post Post Scriptum: a primeira mensagem por ler remete para o meu dia de aniversário (em 2010) e era de uma pessoa com quem cortei qualquer tipo de ligação e dizia “grande dia, hoje”. Mandem-me muitas mensagens que eu gosto, mas dispenso falsidade. E notificações, mas disso eu já tratei e não recebo.