Maria Radiante

O cheiro das coisas

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A propósito do seguinte post no facebook da página “a página que nunca tive” tive a minha epifania.

Sinto e partilho a memória olfativa de tantas coisas referidas no post, mas depois, no final, pede para voltar ao texto todos os anos…

Posso, mas não preciso. As alergias levaram-me essa capacidade. Tenho bem distintos os cheiros até por volta da minha adolescência, até por volta dos 17 anos. E sim, também a maior parte das minhas memórias se associam ao verão, o que é fantástico, mas também tenho de ver o lado bom de já não sentir cheiros…

O cheiro a suor de que tanto falam nos autocarros no inverno…

O mau cheiro nas casas de banho públicas…

Pessoas que cheiram mal…

Não espera, isso eu lembro-me, havia um rapaz na minha turma no quinto ano que cheirava mal… a mãe dizia que ele se recusava a tomar banho…

Mas eu tenho outras memórias que, se o cheiro for mesmo forte, me chegam ao presente e outras que já não voltam por já não existirem, mas que ficam para sempre gravadas: Adoro o cheiro a relva acabada de cortar, o cheiro do pão acabado de fazer na padaria (e não, por muito que seja intenso e bom, o do Lidl não é igual), o cheiro a compota de tomate feita pela mãe da Daniela (como eu gostava que ela estivesse cá para saber que ainda me lembro disso), o cheiro do couro do plinto no ginásio da escola de tantas vezes que lá caí nas aulas de ginástica rítmica (as primeiras grandes culpadas da minha falta de confiança nos outros), o cheiro a “Poême” na minha mãe, o cheiro a doce quente, o cheiro da minha professora de francês (ainda que não me consiga lembrar do nome dela), o cheiro da cerveja com Coca-Cola quando a bebi pela primeira vez, o cheiro a pátio lavado com água e detergente, o cheiro a gasolina quando o meu pai teve o primeiro carro, o cheiro da alface na sandes gigantesca que comi no barco que atravessava para a ilha da Fuzeta, o cheiro das minhas colibris novas, o cheiro do calipo de Coca-Cola, o cheiro dos batons da minha avó Lina,  o cheiro das minhas lágrimas na primeira vez que me partiram o coração, o cheiro a “Scorpio” de homem do frasco preto que usei tantas vezes, o cheiro de todas as lojas Salsa. E parou aí. Tenho pena.

Vão lá fazer gosto na página do post, que vale bem a pena. Não é minha, nem sei de quem é, mas é um bocadinho de todos nós. 

Hoje ninguém corta os pulsos.

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