Maria Radiante

Sophia

2 comentários

… de Mello Breyner, claro. Quem me conhece pessoalmente sabe que não sou a maior fã da senhora, porque os textos como o Cavaleiro da Dinamarca me deixaram cicatrizes profundas – 🙂 , só porque achei uma seca quando tive de os ouvir no sétimo ano, suponho que a minha professora não gostasse e acabou por me passar o seu sentimento, acontece mais vezes do que o que se pensa -,  no entanto, há dois textos desta senhora que eu acho absolutamente perfeitos e de que eu gosto particularmente. Um é o conto Homero e o outro é uma poema que na altura em que me apercebi da sua existência para mim (li-o pela primeira vez no oitavo ano, mas só no décimo segundo ano me apercebi que afinal me dizia qualquer coisa) não percebi que raio aquilo tinha a ver comigo. A minha professora de português do décimo segundo ano, no final do ano letivo disse que tinha uma surpresa para nós, disse que ao longo do tempo que esteve connosco foi encontrando pequenos excertos/textos/poemas que se identificavam com cada um de nós (calma, éramos só onze, não era uma tarefa muito difícil). A mim calhou-me este que deixo a seguir e sinceramente não achei muita piada à senhora porque não percebi o que queria dizer com aquilo. Hoje em dia percebo mais que bem e compreendo que ela, sim, era uma pessoa com visão e que conseguia tirar a pinta às pessoas muito facilmente. Tirou a minha pinta ainda antes de eu saber que a tinha.

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

A minha vida nem sempre é a mais fácil porque opto por dizer o que penso.  No entanto, mil vezes dizer o que penso e ver-me “de mãos dadas com os perigos” do que ter medo como os outros.

Post Sriptum de catraia idiota na altura e de quem não percebeu nem quis perceber o poema no momento (porque outros receberam poemas de Pessoa e eu recebi de Sophia e fiquei fula, porque Pessoa é o meu favorito de todos os tempos e Sophia nem por isso e como tal achei que foi uma injustiça de todo o tamanho): pensou aqui a Radiante sobre “Porque os outros calculam mas tu não.”: “Como raio é que ela adivinhou que eu sou má a fazer contas?”

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2 thoughts on “Sophia

  1. Sim gostei muito de tudo, continua a escrever que agora já temos computador para lêr e responder a tudo.Beijos de quem te ama e sempre te amou, beijos.

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