Maria Radiante

Questão de respeito

4 comentários

Fico furiosa quando percebo que o nosso país não anda para a frente por culpa de muitos de nós. Temos graves problemas políticos inegáveis, mas acima de tudo a cultura do portuga irrita-me um monte de vezes.

Passo a exemplificar: hoje fui ao cinema. Quando comprei os bilhetes o senhor da bilheteira perguntou-me que lugares eu preferia, e eu lá lhe disse e ele marcou. Quando chego à sala, vou para os meus lugares e já estavam ocupados por um casal nos seus 40 e tais 50 anos que ainda nos disseram, com grande lata, que a sala era muito grande se tínhamos de ir para ali. Revirei os olhos e apeteceu-me fazer escândalo porque não há o mínimo respeito na nossa sociedade. Da mesma maneira que me perguntaram a mim onde me queria sentar, de certeza que também lhes perguntaram a eles e podiam ter escolhido aqueles lugares antes de mim que só comprei os bilhetes imediatamente antes de entrar. É a arrogância com que se desdenha dos outros, é a mania de que é tudo nosso. A sala estava vazia e, de facto, não faltava lugar para sentar, mas a porra dos lugares são marcados!!! Eu nunca vou para lugares que não os meus quando são marcados, acho uma tremenda falta de respeito e acho que a nossa sociedade está mal a começar por aí mesmo.

Segundo caso: na semana passada foi o terceiro domingo do mês e, como tal, dia da romaria à Galp – ainda que os ache um bocado muito ladrões – para meter gasolina com desconto de onze cêntimos por litro. Ora, toda a gente sabe que no terceiro domingo do mês se perde uma meia hora, pelo menos, para abastecer. Eu e o marido vamos lá completamente cientes de que vamos ter de esperar. Até aqui tudo bem. O problema é que as pessoas não têm respeito umas pelas outras e são más em muitos casos pela porra de um ou dois euros de desconto na fatura da gasolina ou de outra coisa qualquer. Quando lá chegámos estava um senhor – que de senhor pouco tinha, mas enfim – a berrar e a gesticular fora do carro dele e a ameaçar outro dentro do seu carro na fila para pagar. Depois, outro sai de outro carro e põe-se no meio do caminho para outro não passar, depois chegou a nossa vez, acabámos de abastecer e fomos com o carro para a fila de pagamento, mas havia carros à frente, tivemos de esperar e não podíamos chegar mais à frente porque se não, batíamos. Vem o senhor de trás – uma vez mais, de senhor tinha muito pouco – mandar-nos chegar à frente… tipo, não dá, amigo, tem de esperar. Foi para o carro esbracejar mais um pouco e berrar sozinho.

Há gente muito parva!!!

E no trânsito? Uma vez no meu Maria Radiante, tive uma avaria na autoestrada e encostei quase na saída para o S.João e aí, as seis e meia da tarde, faz fila. Não é que estou eu ao telefone com o marido – na altura, ainda namorado – e vejo um senhor – uma vez mais, não era um senhor – sair do carro dele e foi ter com o da frente que, inocentemente, abriu o vidro achando que o outro só queria reclamar de algo. Não é que lhe espeta com uns três ou quatro murros sem dizer nada e voltou para o carro dele? Fiquei parva.

O portuga é um ser burro e sem qualquer respeito pelos outros e ferve em muito pouca água e isso faz-me muita confusão. Depois, não nos devemos admirar se as mesmas pessoas que se sentam onde lhes apetece numa sala de cinema sejam as mesmas pessoas que usam as suas influências para desviar dinheiro, e menos nos devemos admirar se percebermos que os que mais reclamam de nada sejam os maus patrões que destilam as frustrações nos seus funcionários e também temos de compreender que quem sai de um carro no meio de uma autoestrada para ir bater numa outra pessoa, não é uma boa pessoa, mas acaba por merecer a minha pena, porque deve ser uma pessoa extremamente infeliz e na linha da loucura.

Haja santa paciência que eu nem sempre a tenho!

Anúncios

4 thoughts on “Questão de respeito

  1. Amei… Subescrevo… Como diz a minha amiga Sandra: Assino por baixo! Onde é que tenho que assinar?!!!… =)

    Gostar

  2. Olá Radiante! Antes de mais, quero agradecer-te a visitinha ao meu blog, obrigada!!!
    Até me deixas-te incrédula, com a história do homem sair do carro e esmurrar o outro senhor, meu Deus, a que ponto as pessoas chegam, eu conheço muito bem a saida do S. João, e realmente é complicada, perde-se muito tempo no pára – arranca, e uma pessoa perde mesmo a paciência, mas não ao ponto de sair do carro, e esbofetear alguém, que está ali na mesma situação! Quanto ao cinema, também detesto que ocupem o meu lugar, no caso de serem reservados, já me aconteceu, mas as pessoas em questão sairam a bem! Quem sabe, esses senhores de 40, 50 anos, não pensaram, que como vocês eram mais novos, deviam-lhes respeito? Eles agiram muito mal, sem dúvida!
    Ah! Não admira que os portugueses sejam conhecidos lá fora pela sua péssima condução!
    Beijinhos!

    Gostar

    • eu visito o teu blog todos os dias 😉 não deixo é sempre comentário 🙂 . pois, essa é daquelas histórias que por muito que eu viva há de ficar na memória para contar aos netos, nesse momento, apesar de ser o menos indicado num carro avariado na autoestrada, enfiei-me no carro e tranquei as portas, não fosse sobrar para mim também.

      Gostar

Sejam radiantes! Façam um comentário!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s