Maria Radiante

Brickmania e óculos

6 comentários

Teria eu os meus dez ou onze anos quando apareceu este fenómeno da brickmania. Era a verdadeira loucura. Toda a gente tinha uma máquina destas, umas melhores, outras menos boas – lembro-me que o meu tio tinha a topo de gama, preta, que parecia ter umas pintinhas prateadas e que eu achava fabuloso porque parecia brilhar (as coisas a que os putos dão valor!!!) – eu tive uma, também – claro!!! – mas era das banais, cinzentas, que todo mundo tinha, logo, sempre que podia jogar na do meu tio – que raio de idiotice, porque o jogo era exatamente o mesmo, a única diferença era no design de algumas peças – aproveitava para o fazer. Era ver-me a mim e à minha prima a tentarmos decidir quem ia ter direito a jogar primeiro – claro que a partir do momento em que chegávamos a casa dos meus avós, a máquina deixava automaticamente de ser do meu tio e passava a ser minha e da minha prima – entrávamos nas maiores discussões, mas lá acabávamos por nos entender bem rapidinho porque estávamos a perder tempo e isso é que não podia ser.

Perdíamos o interesse por tudo quanto era coisa nova num instante, mas no momento em que a máquina era nossa, tudo ficava diferente, ainda que eu tivesse passado a semana toda a jogar aquele jogo fabuloso. Claro que passar tantas horas a forçar a vista em frente a um mini ecrã a preto e branco e com a concentração do olhar nos pequenos pontinhos faziam nascer macaquinhos na cabeça de uma miúda e comecei a cismar que andava com a vista cansada  e que se calhar ia precisar de óculos. Claro que, exagerada como sempre fui, contei a toda a gente e por vezes deixava escapar um “Ai, já me está a doer muito os olhos, acho que tenho de parar um bocadinho, porque se calhar vou ter de usar óculos…”. E pronto, tanto me queixei que os desgraçados dos meus velhinhos – ihihih – acharam que eu estava mesmo mal e como tal há que marcar uma consulta no oftalmologista que levou doze contos para dizer: “Nadinha, a menina não tem nadinha, vê muitíssimo bem!”. Ora bolas! Eu queria mesmo usar óculos, porque depois ia poder explicar que tinha sido por causa da brickmania e ia ter uma história para contar, aliás, na sala de espera do consultório já eu fazia filmes sobre como ia ser – sim, isto de fazer filmes na minha cabecita já vem de muito longe – quando chegasse à escola com um par de óculos todos fabulosos e maravilhosos. Já toda eu me sorria quando levei essa tampa do médico, ainda lhe disse um “tem a certeza(sim, eu pus em causa todo o seu percurso académico)? Mas olhe que eu jogo brickmania muito tempo, às vezes estou a jogar durante meia hora seguida – a minha clara apetência pelos jogo também sempre foi muito óbvia, meia hora!!! – e eu sei que isso pode fazer com que as pessoas fiquem a ver mal.”. Respondeu-me que sim, mas que eu estava bem, para ficar descansada. Estúpido! Era o que me apetecia chamar-lhe, mas acho que me fiquei só pelo “huhum” de descontentamento. No dia a seguir não tive história nenhuma para contar, via bem que me fartava e isso não é motivo de interesse. Joguei brickmania mais uns tempos e depois arrumei-a a um canto e nunca mais a vi. Às vezes ainda jogo no computador, mas já não tem interesse nenhum, até porque uma das melhorespartes eram os barulhos – monocórdicos – fantásticos daquilo, o “paw!” quando a peça caía era fabuloso.

Nunca usei óculos e no verão passado fiz uma consulta de rotina e a conversa, dezoito anos depois, foi exatamente a mesma: “A menina vê muito bem, na perfeição!”. A única diferença é que agora já não senti vontade de insultar o médico. Ihihih!

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6 thoughts on “Brickmania e óculos

  1. eu tambem tive uma dessas 🙂 eu e a minha prima recebemos como prenda de natal da nossa madrinha. achamos um máximo. durante tempos infinitos joguei tanto que depois me fartei e nunca mais peguei nela. há pouco tempo dei com ela numa caixa nos arrumos e o dani achou um máximo. e passado tanto tempo com pilhas novas ainda funciona 🙂

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  2. Muito bem, não tiveste vontade de insultar o médico, porque se fosse necessário os óculos, ia ficar cara, mas para ti. Beijos

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  3. Olá! Eu ainda tenho uma para ali, jogada dentro de uma gaveta! Deverá ter uns dezesseis anos, talvez e nem sei se ainda funciona! Também joguei tanto que enjoei!
    Beijinhos!

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