Maria Radiante

Vídeo sobre a cultura geral dos universitários

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Ando a esquivar-me ao tema há uns três dias, mas não consigo mais. Aqui fica o meu contributo.

É triste que não se saiba quem escreveu Os Maias porque são de leitura obrigatória no décimo primeiro ano, logo se estão na universidade tiveram de passar por eles. E quem diz Os Maias diz outras coisas e passo a explicar o meu ponto de vista: o ministro da educação quer reduzir o desenho curricular ao essencial e isso implica deixar de parte disciplinas consideradas menos nobres como a educação tecnológica, a educação visual (artes, portanto) as tic e ainda pretende acabar com a obrigatoriedade de uma segunda língua. Ora, se neste momento os alunos já nada sabem sobre arte, quando deixar de ser obrigatório, será ainda pior. Mas, pelo menos o ministro da educação não acha que isso seja importante e a cultura geral vai descer de nível obrigatoriamente. Não concordo que saber certas e determinadas coisas seja obrigatório (nunca vi O Padrinho) e também não concordo que se deva saber para ficar bem. E mais, alguns dos entrevistados tinham claramente a resposta na cabeça, mas esta perdeu-se no caminho. Alguém que responde Gil Bates sabe a resposta sobre a microsoft só não conseguiu encontrar as palavras certas no momento em que delas precisava. Alguém que responde Leonardo di Caprio também sabe a resposta. Alguém que diz Miguel Arcanjo (o senhor que se andou a defender no meu amigo-inimigo Facebook) também sabe a resposta. Alguém que responde que não é católico porque não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo não sabe a resposta e aqui já entramos no campo do que é grave, porque eu detesto Saramago, nunca li um único livro dele, mas não deixa de ser nobel português e alguém que é analisado no décimo segundo ano (eu sou do tempo do Verigílio Ferreira, felizmente!) de onde aquelas alminhas acabaram de sair. E não me venham com desculpas esfarrapadas como as do senhor do Facebook que ficou muito incomodado com o vídeo. Os amigos que o andaram a gozar é que são pouco inteligentes pois não sabem o que é um lapso e que não percebem a diferença entre não saber e enganar-se. E mais, quem apenas falhou uma em vinte respostas até está bastante bem, mas isso nós não sabemos nem vamos saber pois só temos as versões e ninguém nos dará acesso ao todo para formarmos a nossa própria opinião.

Agora, em relação ao jornalismo feito, foi tendencioso? Claramente. Já iam com um objetivo predefinido? Também. Não há estatísticas nem nada que validem a amostra? Não, não há. Se acho que isso é jornalismo? Não. Se acho que nem os próprios foram rigorosos acabando por cometer gafes no próprio inquérito? Acho. Se acho que no vídeo só deveria constar quem falhou muito? Se calhar sim, mas aí não teria tanta piada e não cumpriria a função predefinida… Isso faz dos entrevistados vítimas de conspiração? Não. Sabiam muito bem para o que iam, mas o desejo de aparecer é mais forte.

Pensem lá, alguém chega ao pé de vocês na rua com uma máquina de filmar e um microfone e diz-vos “Estamos a aferir a cultura geral dos portugueses e gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas, quer participar?”. Vocês têm duas opções: sim ou não. Se disserem sim, acabaram de autorizar, ponto final. Autorizam, para o bem ou para o mal.

Os jovens que não vemos é porque sabem as respostas e ainda bem que assim o é.

As desculpas esfarrapadas não são válidas a partir do momento em que se dá permissão para nos filmarem enquanto nos fazem perguntas. Muitos dão a desculpa da pressão. Qual pressão? Alguém os obrigou ou decidiram embarcar na coisa pensando “Vou mostrar que sou inteligentíssimo que é para ficar bem ao pé dos amigos.”… alguém me diz porque motivo é que o senhor do Facebook disse que assim que errou ficou preocupado e foi falar com a jornalista? Foi porque já sabia para o que ia! Óbvio!

Querendo ou não, a cultura geral é aquilo por onde se pode medir a cultura de um povo e muitos portugueses – não disse todos, como é óbvio, sei que felizmente ainda há por aí muito boa gente brilhante mesmo sem o saberem e sinto-me uma priveligiada por me saber rodeada deste tipo de pessoas, e não, muitas dessas pessoas não têm cursos universitários, a verdadeira inteligência não pode ser rotulada com um grau académico – não a têm e isso não é novo, não é exclusivo dos universitários nem era preciso aparecer numa reportagem.

Houve quem ficasse ofendido? Azar, não autorizassem a entrevista.

Tenho dito.

universitários sábado

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