Maria Radiante

Razões para a amizade que a própria razão desconhece (e às vezes o coração também).

4 comentários

É, hoje estou numa fase céptica.

Mas é verdade, as amizades, às vezes, deixam muito a desejar. Especialmente depois da adolescência. Ou seja, é de concluir que de amizades têm muito pouco. Acabam por ser pessoas que partilham espaço e oxigénio connosco no mundo.

Mas, vá, também não vou ser mentirosa – coisa que me irrita nº9 – e dizer que isso é coisa que não existe. Existe, sim, e eu tenho alguns exemplares dessa coisa rara chamada amizade. Uma das minhas amigas mais antigas fez parte dos meus dias de teenager inconsciente, e – ainda que não estejamos coladas – sei que posso sempre contar com ela. Mas o problema começa mesmo é no pós-adolescência. Porque razão as pessoas se tornam amigas depois de já não haver a pressão dos pares? E porque é que as pessoas são amigas, mas têm na mesma coisas para dizer umas sobre as outras? A amizade é suposto ser incondicional, mas – e eu também sou assim – as pessoas põem condições nas amizades. Sendo assim, a amizade já não é incondicional, porque se uma amiga fizer uma asneirada de todo tamanho o mais provável é que eu deixe de confiar e aí já não somos amigas, certo?

Mas tem mais. Há sempre amizades que dão mais jeito que outras, e isso é que eu já não gosto. Se somos amigos, somos, ponto final. A mim nem sempre me dá jeito ir a determinado sítio e nem sempre me apetece aturar determinada pessoa, mas faço-o na mesma porque considero a pessoa amiga.

E não fica por aqui. Nunca pensei poder encontrar amizades novas num emprego, mas encontrei. E ainda bem, porque lá na selva a coisa não é fácil!

E digo mais ainda, grande parte da minha reduzida colecção de amizades começou com um pensamento mútuo de “Esta gaja, pá? A sério?”. Só para concluir que até eram material para o “amo-te” facebookiano.

É, às vezes dizemo-nos amigos e não somos e às vezes dizem-se nossos amigos e não são.

Mas, mais importante do que ter bons amigos, é ter os amigos certos. Aqueles que a outros dizem que não, mas que descaradamente entram em falta a partir do momento que são tocados pelo toque de Midas, que é o mesmo que dizer que ficam encantados com pequenas coisas e falham o grande quadro. Eu lá queria ser amiga de gente assim. Não faço questão de deslumbrar ninguém, sou quem sou e quem gosta, óptimo, quem não gosta… paciência, olhem para o lado quando eu passar.

Acho que ao longo da vida fui sempre optando por ter bons amigos em vez de amigos importantes. Por isso é que nunca saí da cepa torta. Mas ao menos, tudo que tenho é por mérito próprio. Tenho dito.

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4 thoughts on “Razões para a amizade que a própria razão desconhece (e às vezes o coração também).

  1. A amizade nunca é incondicional e ainda beml!!! É sempre necessário um requisito básio: a lealdade.
    Concordo..a palavra amizade tem sido corrompida com um especie de “conveniencia”.
    Grande parte das pessoas precisa urgentemente de rever o sentido e significado da amizade…a VERDADEIRA amizade!

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    • Por isso é que coloquei que a amizade às vezes tem razões que até o coração desconhece, às vezes confundimos as coisas e achamos que a amizade tem de ser conveniente, mas não tem de ser, nem o é a maior parte das vezes. Por isso é que às vezes, mesmo não apetecendo, se faz o frete, porque se é amigo e isso não tem hora marcada.

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  2. Querida Maria Radiante,

    É bom que tenhamos uma coisa em comum, saber que podemos contar com aquela amiga maluca dos tempos em que o tempo não contava! 🙂

    Concordo plenamente com este delicioso post… a amizade (que para mim não se dissocia muito do amor) é uma coisa estranha, não se compreende muito bem, mas o que é certo é que ela aparece, como dizes, muitas vezes associada a um: “Esta gaja, pá?? A sério??”, mas de repente transforma os nossos dias e as nossas vidas.

    É certo que a amizade não é incondicional, como não o é o amor (perdoem-me os românticos “de profissão”), mas são a “família que escolhemos” e salvo uma ou outra excepção em que nos podem desiludir, são o nosso porto de abrigo, o nosso ombro, o nosso escape…

    Também eu tenho poucos amigos, mas, tal como tu, são os certos!!!

    Tenho muito orgulho de ter tido uma “esta gaja, pá?” na minha adolescência. E apesar de não estarmos sempre coladas, hoje em dia, ela faz parte integrante da minha vida e da pessoa que sou!!!

    Só me resta acrescentar que é com regozijo que antevejo que as longas páginas, com tudo e nada, escritas em noites de insónia ou de ânsia de desabafo, possam ser substituídas pelos corredores virtuais desta tua nova casa.

    Adoro-te amiga!

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  3. eu até sou romântica de profissão, mas até para o romantismo é preciso ter olho e escolher muito bem. nem tudo serve e é por isso que às vezes somos surpreendidos pelas pessoas quando achamos exactamente o contrário e acabamos por perceber que afinal até serve. sinceramente, gosto mais de ser surpreendida assim do que idealizar algo e desiludir-me. infelizmente – ou felizmente, pois assim pude aprender – desiludi-me umas quantas vezes, mas em compensação, as vezes em que não me desiludi, valeram a pena.

    esta casa não é só minha, é feita de todas as pessoas que cruzaram a minha vida e que me ficaram na memória por alguma razão, porque no final das contas o que sobrevive de nós são as memórias dos outros.

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